Saúde / 25-02-2025
Acesso à saúde: desafios e soluções para reduzir desigualdades
O acesso à saúde é um direito humano básico, mas ainda é um desafio para muitas pessoas em todo o mundo, especialmente para aquelas que vivem em áreas remotas, em situação de pobreza ou pertencentes a minorias étnicas. A pandemia de COVID-19 mostrou ainda mais a importância de garantir um acesso justo e equitativo à saúde. Nesta matéria, discutiremos os principais desafios relacionados ao acesso à saúde e as soluções para reduzir as desigualdades [1].
Desigualdades no acesso à saúde
As desigualdades no acesso à saúde podem ser causadas por vários fatores, como a falta de recursos financeiros, a distância dos serviços de saúde, a discriminação e as barreiras linguísticas e culturais. Em muitos países de baixa renda, a falta de infraestrutura de saúde adequada, de equipamentos e de profissionais qualificados, dificulta o acesso aos cuidados de saúde. Além disso, muitas pessoas não têm acesso a serviços de prevenção e educação em saúde, o que aumenta a incidência de doenças e enfermidades [1].
As desigualdades no acesso à saúde também afetam as minorias étnicas e raciais, as pessoas LGBTQ+ e aqueles que vivem em situação de pobreza. Esses grupos têm mais probabilidade de enfrentar barreiras ao acesso à saúde, incluindo o estigma e a discriminação, o que leva a desconfiança e o medo de buscar atendimento médico [1].
Segundo a OMS, metade da população mundial ainda não tem acesso a serviços básicos de saúde e cerca de 100 milhões de pessoas são empurradas à pobreza extrema todos os anos devido aos custos com saúde [2].
As desigualdades no acesso à saúde são particularmente graves em países de baixa renda e em comunidades marginalizadas. De acordo com a UNICEF, a mortalidade infantil é quase 12 vezes maior em países de baixa renda do que em países de alta renda [3].
As mulheres e as crianças são frequentemente as mais afetadas pela falta de acesso à saúde. Segundo a OMS, mais de 800 mulheres morrem diariamente de causas relacionadas à gravidez e ao parto, e mais de 5 mil crianças morrem diariamente antes de completar cinco anos de idade, muitas vezes devido a doenças que poderiam ser prevenidas ou tratadas com acesso adequado à saúde [3,4].
As doenças não transmissíveis, como doenças cardíacas, diabetes e câncer, representam uma crescente ameaça à saúde em todo o mundo. De acordo com o ministério da saúde, as doenças não transmissíveis são responsáveis por 71% de todas as mortes no mundo, sendo que a grande maioria ocorre em países de baixa e média renda. [5].
A pandemia da COVID-19 destacou ainda mais as desigualdades no acesso à saúde em todo o mundo. Segundo a OMS, a pandemia afetou desproporcionalmente as comunidades mais vulneráveis, incluindo pessoas que vivem em condições precárias, idosos, pessoas com doenças crônicas e profissionais de saúde que trabalham em condições inadequadas [6].
Possíveis atitudes para reduzir as desigualdades no acesso à saúde
Existem várias soluções para reduzir as desigualdades no acesso à saúde, como:
Garantir uma cobertura universal de saúde: um sistema de saúde universal deve garantir que todos tenham acesso a serviços de saúde de qualidade, independentemente de sua situação financeira ou social. Isso pode ser alcançado por meio de políticas públicas que proporcionem uma cobertura universal de saúde, incluindo a expansão de serviços de saúde e a promoção de cuidados preventivos [7].
Infraestrutura: a construção de infraestrutura de saúde adequada, incluindo hospitais, clínicas e postos de saúde, pode ajudar a garantir o acesso aos serviços de saúde em áreas remotas e carentes. Além disso, a aquisição de equipamentos médicos modernos e a contratação de profissionais qualificados também são essenciais para melhorar a qualidade do atendimento [7].
Educação: programas de educação em saúde podem ajudar a aumentar a conscientização sobre a prevenção de doenças e a importância dos cuidados. Isso pode incluir a realização de campanhas de saúde pública e programas de educação em escolas e universidades [8].
Equidade: a equidade na saúde significa que todas as pessoas devem ter as mesmas oportunidades, independentemente de sua origem étnica, social ou econômica. Para alcançar a equidade na saúde, as políticas públicas devem ser projetadas para abordar as desigualdades existentes e promover a igualdade de oportunidades [8].
Redução do estigma e da discriminação: a discriminação pode impedir que certos grupos de pessoas tenham acesso aos serviços de saúde. É importante promover a igualdade de tratamento, independentemente da orientação sexual, raça, gênero ou qualquer outra característica pessoal. A sensibilização e a educação dos profissionais de saúde podem ajudar a reduzir o estigma e a discriminação no atendimento médico [9].
Uso da tecnologia: a tecnologia pode ser uma ferramenta importante para melhorar o acesso à saúde, especialmente em áreas remotas. A telemedicina, por exemplo, permite que os pacientes tenham acesso a atendimento médico a distância, através de plataformas digitais. Além disso, a tecnologia pode ajudar a melhorar a eficiência dos sistemas de saúde, reduzindo os custos e aumentando a acessibilidade [9].
Ações individuais: cada indivíduo pode fazer sua parte para ajudar a melhorar o acesso à saúde e reduzir as desigualdades. Isso inclui, por exemplo, buscar informação sobre saúde e prevenção de doenças, praticar um estilo de vida saudável, participar de campanhas de prevenção e conscientização, e apoiar políticas públicas que promovam a equidade na saúde. Além disso, é importante lembrar que a saúde é um direito humano básico e que todos têm a responsabilidade de apoiar a luta por um sistema mais justo e acessível [9].
Referências:
WHO. Health for All: World Health Organization. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/universal-health-coverage#tab=tab_1
WHO. Cobertura universal de saúde (CUS). Disponível em: https://www.who.int/world-health-day/world-health-day-2019/fact-sheets/details/universal-health-coverage-(uhc)
Relatório UNICEF. 2018. Disponível em: https://www.unicef.org/angola/comunicados-de-imprensa/cada-cinco-segundos-morre-no-mundo-uma-crian%C3%A7a-com-menos-de-15-anos
Relatório OMS. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2014-05/oms-mais-de-800-mulheres-morrem-por-dia-em-complicacoes-da-gravidez
Ministério da saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021-1/setembro/saude-apresenta-atual-cenario-das-doencas-nao-transmissiveis-no-brasil
Da SILVA, S.A. A Pandemia de Covid-19 no Brasil : a pobreza e a vulnerabilidade social como determinantes sociais. 2021. Dossiê Aspectos geográficos da pandemia de Covid-19. https://doi.org/10.4000/confins.40687
World Health Organization. Health Equity. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/health-equity#tab=tab_1
World Health Organization. Primary health care. Disponível em: https://www.who.int/news-room/q-a-detail/primary-health-care
World Health Organization. Universal health coverage. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/universal-health-coverage#tab=tab_1